Eu ainda estava no colégio quando abri o Harry Potter pela primeira vez. Tinha 14 anos. Sempre que pego uma obra pra ler, ela tem que me cativar nas primeiras páginas, senão largo e esqueço. Acho que sou um pouco assim até com as pessoas. Já nos primeiros instantes fiquei fascinada com o que li, e com o que aquela história me trazia. Um mundo completamente novo. Até hoje, 11 anos depois, esta saga é a minha melhor máquina de fuga e de distração. Toda vez que fico triste, abro qualquer capítulo e automaticamente estou fora de mim, dos problemas, da minha própria vida. Faço do Harry o protagonista da minha vida por alguns instantes e deixo que ele sofra, ria, chore e enfrente os dementadores que eu não consegui vencer. Até que ele me ensina a buscar lembranças felizes. E então sorrio por dentro. Pronto, já posso sair de Hogwarts e voltar a São Paulo. Já posso me lembrar que tenho Hermiones, Ronys, Hagrids e uns poucos Dobbys torcendo por mim e – porque não? – arriscando os pescoços para que minha vida possa ser melhor.
É todo e cada ensinamento de Harry que faz com que eu ame a história. Já li e reli os sete livros incontáveis vezes. Sou apaixonada por Fred e Jorge Weasley. Hogwarts foi para Harry o que o Horizontes foi para mim. Tenho um pouco de cada personagem e muito da Luna Lovegood. Fiz minhas irmãs amarem o Harry tanto ou mais do que eu e esse foi mais um elo entre nós três, embora não precisássemos de nenhum outro, além do nosso amor capaz de enfraquecer Voldemort. Fiz minha vó Helena, já no fim da vida, aprender a se transportar pra Hogwarts. É uma pena que ela não tenha podido ler depois do quinto livro…
Por isso tudo, hoje estou um pouco triste. Porque vou assistir no cinema o último filme da série. Depois de ansiar cada novo livro, ansiei cada novo filme como um presente. Afinal foi e é isso que o Harry é para mim e para tantos outros: um presente. Vou sentir saudade de esperar por suas derrotas e vitórias. Sentirei falta de torcer por alguém que nem existe a não ser na minha mente e coração. Mas é como diria Dumbledore: claro que aconteceu na sua mente, mas porque isso significaria que não é real?
De todo jeito, acho um pouco triste voltar para minha vida de trouxa. Mas, assim como quem vem e vai de nossas vidas, Harry nunca partirá completamente enquanto eu puder me lembrar dele. Lembrar que cada aprendizado dele foi um novo para mim. E que eu fiz, da história dele, parte da minha. =)
Harry Potter
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Maravilhoso seu texto, aliás, como sempre. E assim como você, faço do Harry meu refúgio e também meu exemplo. Refúgio quando quero sair dessa vida louca de trouxa e colocar um pouco de magia (literalmente) na minha vida. E exemplo porque se ele, que já passou por tantas, ainda fica de pé, tem amigos e consegue ajudar os outros, por que eu nao conseguiria também?
Meu coração está bem apertado depois desse último filme. Não temos mais nada a esperar. Mas temos uma história linda já totalmente incravada nos nossos corações. Para sempre.