História de uma gata

Era o dia 11 de abril quando a vi pela primeira vez. Coincidência ou não, dia 11 é aniversário do meu pai. Só para contextualizar, para quem não sabe, eu trabalho na Berrini e moro perto da Augusta, vou de ônibus até a estação de trem e de lá vou de trem até o trabalho. Perto da estação tem alguns jardins e a passarela de pedestres, pouco depois já fica a Marginal Pinheiros. Era apenas mais um dia de trabalho quando, perto dos jardins, vejo uma gatinha brincando com as plantas. Era bem filhote. Fiquei encantada e muito preocupada. Era visível que ela tinha sido abandonada ali. Fiz o que podia no momento, abri meu sanduba de salame que eu como no trabalho e dei para ela, que comeu no mesmo instante. Liguei para minha casa, e não me deixaram levá-la. Quando cheguei de noite, meu pai ainda brigou comigo – no dia do aniversario dele – porque não queria que eu levasse a gata. Até chorei de raiva, será que ninguém percebia que eu queria salvar a pobrezinha?
Mas eu não desisti dela. Tentei resgatar a gata duas vezes sem sucesso, ela fugia sempre. Uma das vezes tentou arranhar e morder o cara que vende milho ali de noite, para conseguir escapar. Pesquisei um monte na internet para fazer o resgate: eu devia conquistá-la primeiro. Para conquistar um gato é preciso dar comida para ele. Foi o que fiz. Durante dez dias eu levei leite e comida para ela. Enquanto não resolvia quem poderia ficar com ela, pelo menos de fome ela não morreria. O que eu temia era que ela encontrasse algum malvado desses que habitam o mundo e que gostam de maltratar animais.
Até que a tia do Mauricio disse que ficaria com ela, já que moram 5 gatos na casa dela. Não era o que eu queria, pois eu pretendia que ela fosse doada a alguém que se dedicasse só a um gato, mas era melhor do que morar embaixo da passarela. Ao longo dos dias, a gatinha arrebatou meu coração completamente. Eu nem sabia que, enquanto eu tentava conquistá-la, era ela que me ganhava.
Na quinta-feira do feriado de Tiradentes, fui levar comida para ela com o Mauricio. Foi quando ela me deixou acariciá-la. Peguei ela no colo e ela fugiu as três vezes, mas não me mordeu. Mais uma vez eu não desisti e o Mauricio foi meu cumplice, estávamos determinados a ajudar ela. Compramos uma mala que transporta gatos e whiskas. Deu certo. Levamos ela no veterinário e tivemos uma surpresa: era uma fêmea. Até então o nome que eu tinha escolhido era Samuca (em homenagem ao vocalista do Skank, pois eu estava ouvindo essa banda no instante em que a vi).
Pensei um pouco sobre o nome dela, mas não tive demorou muito: Amora. Tirei a ideia do filme ‘A Era do Gelo III’, em que a mamute Ellie dá à luz e batiza de Amora, já que ela era ‘redonda, doce e com pelinhos’. É exatamente o que a minha Amora é: um doce de gata e peluda. Extremamente dócil e agradecida por ter sido salva.

Hoje ela vive na casa do Mauricio e enfrentamos um novo desafio: acostumar a Nina (cachorra vira-lata dele de 13 anos) com a Amora. Ainda não tivemos sucesso, mas acho que vamos conseguir. Eu nunca mais me separo dessa gata, se depender de mim. Agora a Amora também precisa conhecer seu novo amigo, o Frajola, gato da minha irmã.

Aprendi que salvar uma vida, ainda que tão pequena, nos deixa muito orgulhosos de nós mesmos. Aprendi que essa vida tão pequena pode me inspirar tanto amor que eu nem sei medir. É que eu nunca tive um animal de estimação. Hoje, ela deita no meu colo e ronrona toda manhosa. Adora um carinho na cabeça e é fissurada em atum, como todo bom gato. Quando estamos sozinhas eu canto para ela a canção que estava ouvindo quando nos conhecemos: ‘Te ver e não te querer, é improvável, é impossível… te ter e ter que esquecer, é insuportável, é dor incrível’.

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Uma resposta para História de uma gata

  1. Viu como é fácil escrever?

    Escreve mais assim de coisas mundanas… aposto que o texto saiu fácil (pelo menos você conseguiu passar essa impressão, o que é legal) e foi muito gostoso de ler!

    ebaaa!!! Adoro ver você atualizando isso daqui!

    Beijos, Lara! =*

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