(“…Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho,voou,voou,voou,voou/e a menina que gostava tanto do bichinho,chorou,chorou,chorou,chorou: -vem cá sabiá,vem cá…”)
Era uma vez uma menina que acordava todos os dias com o canto do sabiá.Ela corria até a janela para vê-lo de perto,mas toda vez o Sabiá voava e revoava para longe dela.
A menina ia para a escola e pensava no Sabiá.Tinha muitos amigos,mas queria só um.
Um dia ela chorou tanto que seu pai lhe construiu uma armadilha para pegar o Sabiá pela manhã.
E durante meses a fio,a menina perdia o Sabiá quando puxava a corda.
Até que uma vez ela foi paciente,esperou o momento certo,e pegou o passarinho.O Sabiá se debatia muito na caixinha e depois na gaiola,tanto qeu fez um ferimento na asa direita.
A menina olhava para ele e conversava com ele pedindo pra ele cantar e comer.
Mas ele nunca mais cantou.E a menina ficou triste,mas não queria soltar o bichinho que custara tanto para ela capturar.
Um dia o Sabiá a acordou com um canto baixo e agudo,triste.A menina olhou nos olhos dele e o levou até a janela,o Sabiá quando viu o Horizonte, ficou todo agitado e machucou a asa mais uma vez.A menina quis leva-lo para dentro de casa,mas ele se debatia cada vez mais.
Aflita,ela soltou o passarinho.Ele não conseguia voar,por causa da asa,mas ficava saltitando na janela olhando com a cabeça de lado.
No dia seguinte e nos próximos,a menina colocava mamão para o Sabiá que ficava na janela sem poder voar.Ele comia o mamão,mas tinha medo dela.
Ela então chorou.Porque tinha machucado seu amigo.E ficou com o rosto inchado de tanto chorar porque o Sabiá não sabia mais voar.
O Sabiá começou a cantar e partiu num vôo lindo.
A menina ainda o ouve de manhã todos os dias.
Mas desistiu de captura-lo.
O Sabiá canta lá do limoeiro,do pé de jacarandá.
Muitas vezes desejamos tanto que as pessoas fiquem próximas de nós,que não aceitamos sua liberdade.
Queremos dominar,controlar e possuir aquilo que amamos,por causa do medo de perder.
O amor em sua forma mais pura,é libertação.
Somos egoístas e não queremos que os outros nos deixem.
Achamos que conquistar alguém significa apreender em armadilhas de carinho,em gaiolas de incompreensão.Esperamos o canto em troca.
A mágica do amor é a forma como ele nos liberta.
O amor eterno levamos conosco onde quer que estejamos.
O Sabiá não queria viver sem suas asas.
Mas cabe a nós deixar que ele escolha.
Cabe a nós deixar que ele voe.
O amor é para sempre.
Um dia o Sabiá e a Menina se reencontraram num lugar lindo…e o que ele cantou foi a canção mais linda que o céu já ouviu.
O verdadeiro amor,levamos conosco.

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