Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que caminhava sozinha por um campo de flores amarelas, quando chego à porta de uma pequena casa, um lugar muito simples e sem conforto algum, mas me sinto bem ali dentro, é como se já tivesse estado ali inúmeras vezes.
De repente me vejo transportada para dentro de um quarto, estou deitada numa cama simples, triste. Não sei bem porque estou tão triste, mas à minha frente está sentado um senhor que me olha com muito amor. Eu não sei quem ele é agora, mas no sonho eu sabia perfeitamente, não queria conversar com ele, queria sair dali, mas não tinha forças.
Esse sonho se repete muitas vezes.
E quando penso em algum lugar tranquilo, me lembro desse campo com as flores. Amarelas. Amarelo nem é minha cor favorita. Eu não sei de nenhum lugar que já estive com essas flores, esbarrando nas minhas pernas.
Será que é mesmo verdade que esta é apenas uma de minhas existências?
Será que já tive outros nomes, convivi com pessoas que hoje reencontro?
A idéia de eternidade do espírito me assusta e me consola ao mesmo tempo.
Me assusta porque não sei dimensionar eternidade na minha cabeça, quanto tempo é o eterno? O que simboliza ser infinito?
Mas me consola porque não acredito que estejamos aqui apenas para nascer, viver e morrer, como ensinam tantos. A vida assim não faz sentido para mim. Essa vida não me é suficiente para justificar crianças que passam fome, enfermidades sem sentido, e o descontrole da violência. Outras vidas, outros espíritos que agora precisam passar pelo que lhes acontece para seguirem seu caminho em busca da evolução, me conforta.
Não sei se estou aprendendo a ter fé ou me apegando ao desespero de quem não aceita essa vida radical, nua e crua. Talvez eu seja mesmo romântica demais.
Mas enquanto a idéia de espírito me confortar, eu vou acreditar nela. Enquanto as preces me fortalecerem, continuarei rezando. E acreditando que Jesus não teve tamanha influência a toa.
Continuarei acreditando que nenhuma separação é eterna.
Que o amor é a maior força que existe.
E que ainda estamos aprendendo a amar.
Lara

1 comment
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8/Outubro/2009 às 8:45 pm
mariperes
Então somos duas românticas incorrigíveis =)