Mágico e grandioso. Essas são apenas algumas das características do musical da Broadway que estreou em São Paulo na última quinta-feira. A remontagem do clássico da Disney A Bela e a Fera, no Teatro Abril, transforma qualquer pessoa da plateia em criança.
Conheço a história de cabo a rabo, minha irmã é grande fã da trama que mostra a pureza do amor verdadeiro, que supera a barreira da aparência e vai mais fundo: é capaz de fazer a moça mais bonita se apaixonar por uma fera, um monstro assustador de garras e dentes. É uma história que mexe com o imaginário das mulheres, tão obcecadas atualmente pelo exterior e pela beleza.
O espetáculo é extremamente bem feito e elaborado, as mudanças de cena e o figurino são impecáveis. A orquestra é a principal responsável por ditar as emoções de cada ato. Minha decepção fica por conta da letra da canção-tema da história, embora a melodia seja a mesma, a letra não é fiel ao filme da Disney, talvez seja porque para a Broadway a música seja diferente (os musicais são diferentes dos filmes muitas vezes), mas acho que eu e metade do público estávamos cantando mentalmente “Sentimentos são, fáceis de mudar, mesmo entre quem, não vê que alguém pode ser seu par..”, ao invés de “Velhas emoções…”, o resto não me dei o trabalho de decorar.
Quanto aos atores, morri de amores pelo Lumiére e Dindon, o castiçal e o relógio na história. Ambos estão fantásticos, todas as cenas com eles são carregadas de humor e entendimento, uma amizade que fica explicita nos diálogos. A esperança de voltarem à forma humana e o estranhamento por estarem cada vez mais transformados nos objetos, uma angustia explicita que é genial na interpretação deles. O diálogo em que o relógio questiona a atitude da Feiticeira ao encantar todos os presentes do castelo e não só o príncipe, foi a minha cena favorita. “-Mas porque ela enfeitiçou a todos nós? Se foi ele que não a quis abrigar e foi ele que a escurraçou daqui?” E o sábio castiçal responde. “- Porque talvez nós sejamos responsáveis por ele ser e agir assim, permitimos que ele se tornasse um homem egoísta.” Um verdadeiro ensinamento para os pais de filhos tão mimados e mesquinhos de hoje em dia.
Ricardo Vieira, ator que interpreta a Fera, empresta uma veracidade de emoções que parece impossível de captar por cima de toda aquela pesada fantasia. É a voz dele, que nos revela a transformação do príncipe que descobre e aprende o que é amar. A voz suave e melodiosa, transfere toda amargura, rancor, surpresa e carinho do personagem.
A Bela está meiga e delicada, suas atitudes de enfrentamento com a Fera são bem feitas. Mas ainda falta à Lissah, atriz intérprete, aproveitar um pouco sua conquista e não deixar que o peso de ser protagonista a tranforme numa mocinha mecânica. Falta a ela acreditar que está muito bem.
Eu recomendo A Bela e a Fera a todos aqueles sensíveis, que sabem a importância de se permitirem emocionar, em tempos de rotina pesada, trânsito e trabalho duro.
Afinal de contas, é tudo sobre amor mesmo. Estamos aqui para isso, amar. =)

1 comment
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5/Maio/2009 às 1:14 am
Paulo Henrique
Adorei, Larinhaaaa!!!
Já tava falando pro Mau que tava a fim de ir ver essa peça…
Mas antes, prometi levar mamãe pra assistir “A Noviça Rebelde”…
Beijos! =*