“…quem está agora ao teu lado?
quem para sempre está?
quem para sempre estará?
ela me disse que trabalha no correio e que namora um menino eletricista…”

(O Descobrimento do Brasil)

Legião Urbana na veia, como sempre aliás.
Sempre que os tempos ficam difíceis e incompreensíveis, a voz rouca, grave e cadenciada de Renato Russo vem me dizer que “quando tudo está perdido sempre existe uma luz”. Caraca o Renato escreveu essa música
num dia punk de deprê quando descobriu que tinha HIV. Foda né?
Quem é poeta recebe notícia desgraçada e escreve música. Eu queria saber escrever música, que é o que  mais amo na vida, mas sou melhor com esses textos pirados e poesias bregas demais para serem publicadas.

Voltemos ao Renato. A trilha sonora da Legião Urbana pautou toda minha adolescência.
Os momentos em que minha melhor amiga mudou de cidade e eu não podia ouvir  “Pais e Filhos” sem chorar,
O mágico momento em Peruibe quando irmão com apelido de Pizza me apresentrou “Teatro dos Vampiros”, minha favorita até hoje, e autobiográfica também,
E aquele segundo colegial de “Vamos fazer um filme” – “a minha escola não tem personagem, a minha escola tem gente de verdade… “. A minha escola, onde mais fui feliz.

Queria encontrar o Renato Russo se pudesse, bater um papo, perguntar se ele já descobriu quem inventou o amor, se já topou com João Roberto ou Zé Chinelão, se ele acha mesmo que Eduardo e Mônica eram o casal perfeito mesmo sendo tão diferentes.

Mas, esse é o nosso mundo né Renato? Ninguém vê onde chegamos, os assassinos estão livres, nós não estamos…
os meus amigos todos estão procurando emprego. Eu também.

O que leva um ser humano a dizer coisas tão geniais? De onde vem tanta sensibilidade e conhecimento?
E o que leva outros seres a humilharem os outros?

Obrigada Renato, por trazer ajuda e alegria em tantas ocasiões da minha vida.

“Eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir.”
Eu também não dormi bem hoje, Renato.
São tempos difíceis para os sonhadores.