“Eu não sou o senhor do tempo, mas eu sei que vai chover
Me sinto muito bem quando fico com você
Eu tenho habilidade de fazer histórias tristes
Virarem melodia vou vivendo o dia-a-dia./
Na paz, na moral, na humilde busco só sabedoria
Aprendendo todo dia, me espelho em você
Corro junto com você, vivo junto com você, faço tudo por você./
Seguindo em frente com fé e atenção
Continuo na missão continuo por você e por mim
Porque quando a casa cai
Não dá pra fraquejar, quem é guerreiro tá ligado
Que guerreiro é assim./
O tempo passa e um dia a gente aprende
Hoje eu sei realmente o que faz a minha mente
Eu vi o tempo passar e pouca coisa mudar
Então tomei um caminho diferente
Tanta gente equivocada faz mal uso da palavra
Falam, falam o tempo todo mas não tem nada a dizer
Mas eu tenho santo forte é incrível a minha sorte
Agradeço todo tempo por ter encontrado você./
O tempo é rei, a vida é uma lição
E um dia a gente cresce
E conhece nossa essência e ganha experiência
E aprende o que é raiz então cria consciência./
Tem gente que reclama da vida o tempo todo
Mas a lei da vida é quem dita o fim do jogo
Eu vi de perto o que neguinho é capaz por dinheiro
Eu conheci o próprio lobo na pele de um cordeiro
Infelizmente a gente tem que tá ligado o tempo inteiro
Ligado nos pilantra e também nos bagunceiro
E a gente se pergunta porque a vida é assim?
É difícil pra você e é difícil pra mim./
Eu não sou o senhor do tempo, mas eu sei que vai chover
Me sinto muito bem quando fico com você
Eu tenho habilidade de fazer histórias tristes
Virarem melodia vou vivendo o dia-a-dia
Na paz, na moral, na humilde busco só sabedoria
Aprendendo todo dia me espelho em você
Corro junto com você, vivo junto com você, faço tudo por você.
Vivendo nesse mundo louco hoje só na brisa
Viver pra ser melhor também é jeito de levar a vida.”

Ouvi essa música sexta-feira, e me dei conta de que nunca tinha parado para pensar na complexidade dela. A letra é demais. É isso mesmo, infelizmente a gente tem que estar ligado o tempo inteiro. Nunca pensei que eu, sempre tão boazinha e acreditando no melhor das pessoas, fosse desvendar o que tanta gente é capaz de fazer para se manter por cima dos outros, em um jogo de culpa alucinado onde quem assume seu erro é o verdadeiro honesto da história.
Transparência e integridade não fazem parte de pessoas com as quais convivi nos últimos tempos, o engraçado é que a gente pode sim aprender com os erros dos outros, basta aprender a observá-los sem julgar.
De repente me orgulho por não confiar mais nas pessoas, isso evitou que eu me machucasse tanto. Por outro lado, tenho me sentido mais sozinha do que antes.
Houve um tempo em que eu vivia rodeada por pessoas que me amavam todos os dias e que não mediriam esforços para me ajudar em qualquer situação. Hoje eu me levanto sozinha, não porque não precise mais de ninguém, simplesmente porque ninguém vai fazer isso por mim e porque não vou ficar no chão. Ainda choro quando sinto tanta saudade daqueles tempos em que eu era sempre eu mesma: engraçada, risonha e amorosa. Agora passo horas quieta no meu canto, fico com meus pensamentos torcendo para que a expressão no meu rosto não me traia como antes, e para que consiga enfrentar mais um dia. As pessoas ao meu redor não me conhecem, mas de certa forma é bom. Quanto menos se conhece uma pessoa, menor a capacidade dela te ferir ou te prejudicar de alguma forma. Talvez seja uma maneira muito defensiva de viver. Mas existem tempos de vivência e amor, e tempos de sobrevivência e luta. A sabedoria está em agir de acordo com cada um.

No fim das contas, amadurecer deve ser isso. Na verdade eu preciso agradecer, pois foi o passado do qual sinto falta que me deu forças para ser o que sou hoje. Porque sei que pode ser diferente. Estive em casa durante 18 anos, mas isso não podia ser para sempre. Faz 5 anos que vejo outra vida. E sou uma Lara melhor do que antes, não tão prepotente, não tão segura talvez, mas mais observadora e mais responsável.

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei a escrever…”
Frase de Clarice Lispector.

Quando era criança adorava desenhar. Tinha verdadeiro fascínio pela idéia de preencher uma folha em branco com qualquer coisa que me viesse a cabeça. Eu poderia colorir, ou simplesmente rabiscar. Não era sempre que coloria, parecia que os lápis nunca tinham a cor certa para a aparência que eu desejava. Os rabiscos em preto e branco eram os meus favoritos, porque eles tinham a cor que eu quisesse na minha mente, e a cor que as outras pessoas quisessem para elas.
Eu era tão ligada em desenho, que fiz durante a 4ª série um curso de artes na escola, toda segunda-feira. Me sentia importantíssima por fazer o que eu gostava: desenhar. Aprendi a pintar camiseta, fazer máscaras, esculturas de argila e papel-machê. Desenhar pra mim significava uma libertação. Nunca fui muito crítica quanto aos meus desenhos, eu gostava deles do jeito que eram, e quando não gostava, simplesmente apagava – apesar da professora dizer que não deveríamos apagar nada, porque nunca repetiremos o mesmo traço – eu apagava escondido e pronto.
De repente percebi que meus desenhos poderiam ter histórias, então fiquei obcecada pela idéia de criar um personagem para cada esboço que fizesse. Foi assim que surgiram alguns gibis e livros, aos quais eu me dedicava com afinco. Afinal cada personagem tinha que ser escrito como eu tinha desenhado! Era uma missão e tanto.
Quando chegou o ginásio eu tinha que escolher qual área da aula de cultura eu queria seguir: artes ou teatro. Não preciso nem dizer mas digo que escolhi o teatro, e foi com a consciência tranquila, mesmo que de vez em quando eu olhasse dentro da sala e sentisse saudade de pegar os pincéis e pintar telas brancas.
Esse tempo passou rápido, e hoje já não desenho mais. Não por falta de vontade, mas sim porque me dediquei somente a escrita. Acho que troquei uma coisa pela outra. Mas escrever é tão mais subjetivo, que até hoje me pergunto senão deveria ter seguido para a Escola Panamericana de Arte. Me questiono se as pessoas que leem meus textos sabem o que eu realmente quis dizer. Será que elas conseguem ler o que me vai na alma? Não sei.
Sinto falta de desenhar. Mas as letras tomam forma mais rápido na minha mente do que as imagens, eu junto tudo e um texto está pronto. Pronto para ser corrigido e avaliado pelos outros. Escrevo pra mim e porque gosto, mas um texto lido não pertence mais a quem escreveu, e sim a quem leu. A pessoa interpreta o que quiser. E é aí que a situação muda de figura, sabem. Não sou mais eu que estou a digitar essas palavras no teclado, são vocês que quando leem pensam o que bem quiser da minha infância cartunista e minha vida adulta de escritora.

Eu só sei insistir. Faço sonhos e saudades caberem nos meus poucos minutos disponíveis para escrever sobre o tema que quiser. É como uma aquarela…a gente pinta a própria vida.

Lara

Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que caminhava sozinha por um campo de flores amarelas, quando chego à porta de uma pequena casa, um lugar muito simples e sem conforto algum, mas me sinto bem ali dentro, é como se já tivesse estado ali inúmeras vezes.
De repente me vejo transportada para dentro de um quarto, estou deitada numa cama simples, triste. Não sei bem porque estou tão triste, mas à minha frente está sentado um senhor que me olha com muito amor. Eu não sei quem ele é agora, mas no sonho eu sabia perfeitamente, não queria conversar com ele, queria sair dali, mas não tinha forças.
Esse sonho se repete muitas vezes.
E quando penso em algum lugar tranquilo, me lembro desse campo com as flores. Amarelas. Amarelo nem é minha cor favorita. Eu não sei de nenhum lugar que já estive com essas flores, esbarrando nas minhas pernas.

Será que é mesmo verdade que esta é apenas uma de minhas existências?
Será que já tive outros nomes, convivi com pessoas que hoje reencontro?

A idéia de eternidade do espírito me assusta e me consola ao mesmo tempo.
Me assusta porque não sei dimensionar eternidade na minha cabeça, quanto tempo é o eterno? O que simboliza ser infinito?
Mas me consola porque não acredito que estejamos aqui apenas para nascer, viver e morrer, como ensinam tantos. A vida assim não faz sentido para mim. Essa vida não me é suficiente para justificar crianças que passam fome, enfermidades sem sentido, e o descontrole da violência. Outras vidas, outros espíritos que agora precisam passar pelo que lhes acontece para seguirem seu caminho em busca da evolução, me conforta.

Não sei se estou aprendendo a ter fé ou me apegando ao desespero de quem não aceita essa vida radical, nua e crua. Talvez eu seja mesmo romântica demais.

Mas enquanto a idéia de espírito me confortar, eu vou acreditar nela. Enquanto as preces me fortalecerem, continuarei rezando. E acreditando que Jesus não teve tamanha influência a toa.

Continuarei acreditando que nenhuma separação é eterna.
Que o amor é a maior força que existe.
E que ainda estamos aprendendo a amar.

Lara

Mágico e grandioso. Essas são apenas algumas das características do musical da Broadway que estreou em São Paulo na última quinta-feira. A remontagem do clássico da Disney A Bela e a Fera, no Teatro Abril, transforma qualquer pessoa da plateia em criança.
Conheço a história de cabo a rabo, minha irmã é grande fã da trama que mostra a pureza do amor verdadeiro, que supera a barreira da aparência e vai mais fundo: é capaz de fazer a moça mais bonita se apaixonar por uma fera, um monstro assustador de garras e dentes. É uma história que mexe com o imaginário das mulheres, tão obcecadas atualmente pelo exterior e pela beleza.
O espetáculo é extremamente bem feito e elaborado, as mudanças de cena e o figurino são impecáveis. A orquestra é a principal responsável por ditar as emoções de cada ato. Minha decepção fica por conta da letra da canção-tema da história, embora a melodia seja a mesma, a letra não é fiel ao filme da Disney, talvez seja porque para a Broadway a música seja diferente (os musicais são diferentes dos filmes muitas vezes), mas acho que eu e metade do público estávamos cantando mentalmente “Sentimentos são, fáceis de mudar, mesmo entre quem, não vê que alguém pode ser seu par..”, ao invés de “Velhas emoções…”, o resto não me dei o trabalho de decorar.
Quanto aos atores, morri de amores pelo Lumiére e Dindon, o castiçal e o relógio na história. Ambos estão fantásticos, todas as cenas com eles são carregadas de humor e entendimento, uma amizade que fica explicita nos diálogos. A esperança de voltarem à forma humana e o estranhamento por estarem cada vez mais transformados nos objetos, uma angustia explicita que é genial na interpretação deles. O diálogo em que o relógio questiona a atitude da Feiticeira ao encantar todos os presentes do castelo e não só o príncipe, foi a minha cena favorita. “-Mas porque ela enfeitiçou a todos nós? Se foi ele que não a quis abrigar e foi ele que a escurraçou daqui?” E o sábio castiçal responde. “- Porque talvez nós sejamos responsáveis por ele ser e agir assim, permitimos que ele se tornasse um homem egoísta.” Um verdadeiro ensinamento para os pais de filhos tão mimados e mesquinhos de hoje em dia.
Ricardo Vieira, ator que interpreta a Fera, empresta uma veracidade de emoções que parece impossível de captar por cima de toda aquela pesada fantasia. É a voz dele, que nos revela a transformação do príncipe que descobre e aprende o que é amar. A voz suave e melodiosa, transfere toda amargura, rancor, surpresa e carinho do personagem.
A Bela está meiga e delicada, suas atitudes de enfrentamento com a Fera são bem feitas. Mas ainda falta à Lissah, atriz intérprete, aproveitar um pouco sua conquista e não deixar que o peso de ser protagonista a tranforme numa mocinha mecânica. Falta a ela acreditar que está muito bem.
Eu recomendo A Bela e a Fera a todos aqueles sensíveis, que sabem a importância de se permitirem emocionar, em tempos de rotina pesada, trânsito e trabalho duro.
Afinal de contas, é tudo sobre amor mesmo. Estamos aqui para isso, amar. =)

“Ao terminar a faculdade, chega o momento de iniciar a vida profissional e planejar para que seja contínua e com empregabilidade. É necessário estar atento para que a carreira seja sempre evolutiva, se houver algum hiato é porque você relaxou em alguma área de seu desenvolvimento. Sendo assim, identificando o problema, é preciso definir ações para criar novas oportunidades, mas isso deve ser feito desde o início de sua carreira.
Nunca pare de estudar: seu conhecimento pode rapidamente tornar-se obsoleto ou insuficiente para ser relevante para as empresas. Uma nova formação acadêmica, um curso de pós-graduação ou uma língua estrangeira podem ser o diferencial relevante para uma colocação…”
(trecho do texto Para quando sair da faculdade)

Para quando sair da faculdade é um texto interessante sobre a vida pós-faculdade. Mas pra mim ainda há tanto a ser dito, sei que preciso me especializar em tantas coisas, afinal, me angustia saber que tem tanta gente procurando emprego, tanta gente perdendo emprego e no fim todos estamos nessa constante insegurança da vida. Um dia se está aqui, no outro não se sabe.
Mas não me avisaram que eu precisaria ser tão forte quando saísse da faculdade. Me pegaram de calças curtas. É penoso pra mim não ir mais pra escola, e não poder mais ver meus amigos.
Os amigos que vejo no trabalho não são meus amigos, nem estão verdadeiramente interessados em por quê eu não faço piadas, eles nem sabem que sei contar piadas…
É difícil perceber que não posso voltar.
Pra quando sair da faculdade…? sair da faculdade é deixar de brincar. È ser adulto o tempo todo do seu dia. È lidar com as consequências da profissão que escolheu. É saber que você vai encontrar muito mais pessoas frustradas do que felizes com a faculdade que fizeram e com o rumo que deram à própria vida. O que tem de jornalista frustrado devia entrar pro Guiness Book, só reclamam do salário, da vida de correr atrás das fontes, etc… Porque não vão todos trabalhar no banco? Porque os jornalistas, apesar de tudo, gostam do que fazem.
Eu não sei do que eu gosto. Sei que gosto de escrever sobre mim mesma e de subir no palco. Mas isso não sustenta ninguém.
Queria poder estar no Mackenzie agora, ao lado de 5 carinhas conhecidas, desabafando sobre tudo que penso a respeito de sair da faculdade. Mas já saí. Já não é mais como antes.
Eu adoraria estar editando meu Tgi agora, fazer tudo de novo, só para ir comer na praçona no intervalo das aulas.
Mas dizem que é um luto que a gente passa. E que é dolorido mesmo. Espero que tenham razão e que passe logo.
Eu só espero não perder as amigas que tive nesses quatro anos, como já perdi tanta gente.
Só quero dizer obrigada a quem está invariavelmente do meu lado, não importa o meu bom ou mau humor.
Meninas, sinto falta de vocês todas as manhãs, muito obrigada pelos 4 anos em que vocês me transformaram em mulher. Eu só preciso lembrar disso.

beijos

“…quem está agora ao teu lado?
quem para sempre está?
quem para sempre estará?
ela me disse que trabalha no correio e que namora um menino eletricista…”

(O Descobrimento do Brasil)

Legião Urbana na veia, como sempre aliás.
Sempre que os tempos ficam difíceis e incompreensíveis, a voz rouca, grave e cadenciada de Renato Russo vem me dizer que “quando tudo está perdido sempre existe uma luz”. Caraca o Renato escreveu essa música
num dia punk de deprê quando descobriu que tinha HIV. Foda né?
Quem é poeta recebe notícia desgraçada e escreve música. Eu queria saber escrever música, que é o que  mais amo na vida, mas sou melhor com esses textos pirados e poesias bregas demais para serem publicadas.

Voltemos ao Renato. A trilha sonora da Legião Urbana pautou toda minha adolescência.
Os momentos em que minha melhor amiga mudou de cidade e eu não podia ouvir  “Pais e Filhos” sem chorar,
O mágico momento em Peruibe quando irmão com apelido de Pizza me apresentrou “Teatro dos Vampiros”, minha favorita até hoje, e autobiográfica também,
E aquele segundo colegial de “Vamos fazer um filme” – “a minha escola não tem personagem, a minha escola tem gente de verdade… “. A minha escola, onde mais fui feliz.

Queria encontrar o Renato Russo se pudesse, bater um papo, perguntar se ele já descobriu quem inventou o amor, se já topou com João Roberto ou Zé Chinelão, se ele acha mesmo que Eduardo e Mônica eram o casal perfeito mesmo sendo tão diferentes.

Mas, esse é o nosso mundo né Renato? Ninguém vê onde chegamos, os assassinos estão livres, nós não estamos…
os meus amigos todos estão procurando emprego. Eu também.

O que leva um ser humano a dizer coisas tão geniais? De onde vem tanta sensibilidade e conhecimento?
E o que leva outros seres a humilharem os outros?

Obrigada Renato, por trazer ajuda e alegria em tantas ocasiões da minha vida.

“Eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir.”
Eu também não dormi bem hoje, Renato.
São tempos difíceis para os sonhadores.

A vida passa e leva a gente com ela. Fica difícil acompanhar sempre. Às vezes tenho a nítida sensação de que congelei no tempo e que tudo ao meu redor é imaginação, que o real continua a ser aquele passado tranqüilo em que eu não tinha tantas responsabilidades.

A gente mente um pouco pra si mesmo de vez em quando, esperando que o sonho seja verdadeiro.

È preciso saber a hora de crescer, senão a gente fica pra trás. Não digo pra trás dos outros, os outros que sejam felizes e não me preocupa a vida deles. Refiro-me a ficar pra trás da gente mesmo, o que é pior. Saber que se poderia ser muito melhor do que se é. E essa melhora parece tão distante.

Eu não me lembro de todas as coisas que gostaria. Esqueço aquilo que me fez feliz e que me magoou, só lembro alguns poucos momentos em que eu realmente gargalhei ou fui muito ferida. De resto, tudo vai ficando pelo caminho.

Pessoas vão ficando e eu as assisto ir embora. Não era pra ser um texto triste, e sim uma constatação do quanto ainda falta para conseguirmos nos orgulhar de nós mesmos.

Eu sei, você sabe. A vida prepara a gente pra enfrentá-la. É urgente estar sempre preparado. Aprendi de tanto me esborrachar. O escudo sempre. A espada de vez em quando. Desarmada nunca.

Ou se enfrenta um leão por dia ou não se vive. E eu vou viver, custe o que custar.

Ainda que custe uma parte desse coração tolo que continua a se ferir com tantas despedidas. A vida é sempre maior.

É essa grandiosidade implacável da vida, nos convidando a seguir em frente.

Eu sigo, ainda que olhe pra trás tantas vezes.

Sigo porque não há outro jeito, e porque tenho tantos sonhos para lutar.

Eu vou, porque não?

 

Lara

Hoje está um dia ensolarado e um pouco triste. Faz um ano que me despedi de você.

Porque será que a vida nos toma as pessoas importantes tão depressa?
Porque será que a ausência se torna tão presente?

Penso em você todos os dias, ainda tinha tanto a te dizer, a aprender.

A saudade é grande, mas meu conforto é a certeza de que você está bem, onde quer que seja esse lugar.

Que Deus nos proteja e nos reúna, um dia.

Vivo com essa pequena esperança dentro de mim. De que a vida não seja apenas isso que enxergo, que a morte não é o encerramento de tudo. Sempre dependi muito mais daquilo que sinto, e sinto que cada separação é passageira. Que um dia, poderei encontrar as pessoas que amo na velocidade exata do meu pensamento.

Sonho que um dia verei você de novo, e poderei te dar aquele abraço de outros tempos.

Descobri que não há como te agradecer por tudo que me transmitiu e me fez ver. Não tem como explicar a diferença que você fez na minha vida e o conhecimento que me transmitiu.

Então, eu queria apenas deixar registrado hoje que você foi essencial na minha vida. Seria seu aniversário. Será que existe comemoração com bolo e guaraná no céu? Acho que não, mas talvez desse lugar você possa sentir a minha energia ligada em você e desejando de todo o meu coração toda alegria no dia de hoje.

Enquanto eu estou longe de você.

Olayr Coan.

Muitas histórias falam de grandes amores. Amores que sobreviveram à guerras e a todo tipo de intempéries que se pode imaginar. As histórias que tanta gente comenta, falam de amor. Mas não essa .

Essa fala de um amor que poucos tem o privilégio de conhecer. Embora toda e qualquer pessoa que conheço pense o contrário, e julga estar rodeado desse tipo de amor tão raro.

Essa história fala de amizade. Pra mim, meu amigo, as melhores histórias falam de amizade. Fala daquilo que é verdadeiramente essencial.

Abra o coração e os olhos(é imprescindível abrir os olhos para ler e o coração para entender):

Era fevereiro. Um sol ardido invadia a manhã de um verão que conhecemos.  Aquele sol que nos cega por alguns minutos. Uma manhã brilhante.

Ela estava sendo segurada com força pela mão. Seus dedos estavam escorregando por causa do suor, e quanto mais escorregavam, com mais força eram segurados. Parecia que iam esmagá-los. Estava um pouco chorosa, mas o medo era tão maior que segurou as lágrimas por algum tempo.

Um portão alto e enferrujado abriu-se, e ela foi colocada subitamente para dentro de um jardim com uma roseira, em direção aos três degraus de um sobrado cinza, com as janelas verde pistache.

Uma placa.  A inscrição: Orfanato. Ela não conseguiu ler o nome do orfanato porque fora persuadida a entrar pela porta.

No corrimão da escada sentiu que algo a observava, uma pequena menina loura sorriu com os olhos pra ela. A expressão da boca ainda conservava certo espanto, por isso, só os olhos sorriram. Ela retribuiu com um leve aceno de cabeça.

 

continua…

Tenho pesquisado tanto e exaustivamente sobre as características, benefícios e poder dos blogs. E justo o meu eu deixo pra trás, sem atualizar. As visitas são raras, mas sei que a culpa é minha, falta eu divulgar essa doidera aqui.

Uma parte de mim tem receio das incontáveis críticas aos meus textos, embora eu sempre tenha recebido elogios também. Outra parte de mim está tão cansada. Ainda me pego pensando em finalizar o TGI, ou em milhares de compromissos que eu mesma arranjo e não consigo dar conta.

Outra parte esquece de escrever. Parece que agora que me tornei jornalista, escrever ficou em segundo plano. Justo eu que gostava tanto, que queria escrever um livro.  A vida faz a gente se perder às vezes. Mas não posso mais permitir, nem fazer promessas, a responsabilidade é toda minha.

E esse blog é uma parte dessa responsabilidade. Eu acesso todo  dia o te dou um dado e me mato de rir. Porque não posso acessar todo dia o meu blog? Taí. Postar mais textos. Idéias não me faltam. Vamos ver o que conseguirei fazer do meu 2009. Espero que muito mais.

Lara.